ARTIGOS

Gravura e suas possibilidades

Por Uiara Bartira

"Só as imagens podem recolocar os verbos em movimento"
Gaston Bachelard

A importância do Prêmio Ibema Gravura, realizado nesse ano de 2011 em sua primeira edição, está em ratificar que, como iniciadora entre as linguagens de arte, a gravura fornece material cada vez mais inovador em suas pesquisas e novas incursões na sistemática das questões gráficas em todos os tempos.

Relevante é frisar um detalhe dos mais significativos na terminologia usada para essa mostra em seu título e, para isso, devo fazer um breve relato: As mostras de gravura que aconteceram na Casa da Gravura em Curitiba nos anos 70/80 têm em seu início um nome que designa uma apropriação da exposição em relação à gravura, isto é, Mostra de Gravura. Posteriormente, nos anos 90, já no Museu da Gravura Cidade de Curitiba, uma pequena alteração para Mostra da Gravura faz a inversão dessa posição; dando à mesma, ênfase a uma linguagem autônoma. No momento, esse prêmio a chama simplesmente de Ibema Gravura e fala, portanto, de que nessa autonomia, agora completamente solidificada, ela não pertence a ninguém, mas a todas as suas possibilidades. Note-se, a fábrica da Ibema fica em Turvo, perto de Guarapuava, Oeste do Paraná, e sua sede administrativa está sediada na cidade de Curitiba.

Ressalta-se nos trabalhos apresentados nesse prêmio, pelos artistas estudantes da gravura e em suas diferentes técnicas, uma preocupação de se repensar a gravura como linguagem, deixando de lado as possibilidades das técnicas foto mecânicas tão desenvolvidas na gravura brasileira nos anos 70 em São Paulo e no Rio, contribuindo em consistência com a gráfica no Brasil e lhe atribuindo um resultado de qualidade de excelência em suas Artes Gráficas.

Apresentadas nas técnicas de xilogravura, gravura em metal, serigrafia e linóleo gravura, todas as gravuras são editadas com tiragem de cinco cópias, como manda o regulamento, outra característica importante que o Prêmio Ibema Gravura vem resgatar nessa modalidade de arte.

O Neo-concretismo, movimento de arte dos anos 70, que impõe as questões visuais na arte brasileira e perfaz uma triangulação entre a Europa, Estados Unidos e Brasil, predomina durante 30 anos e produz um alargamento fronteiriço entre as linguagens de arte e as questões sociopolíticas no continente americano.

No inicio dos oitenta, a arte brasileira percorreu e recorreu ao desenho mineiro e à pintura carioca em seus anos derradeiros, como maneira de revolver e devolver à arte as suas próprias questões estéticas, encobertas então pelas possibilidades da Vanguarda. Surge no Brasil uma nova Crítica e concomitantemente um novo Mercado de Arte .

Curitiba ostenta e se sustenta na gravura para se tornar, durante as décadas de 80 e 90, o pólo e o colo da arte contemporânea no Brasil.

Na primeira década do Século XXI, a gravura, a exemplo da arte americana dos anos 80, invade os espaços públicos da cidade e confirma a problemática da democracia já anunciada por Jackson Pollock em sua Action Painting e desenvolvida posteriormente por Andy Warhol na Pop Art dos anos 60.

O Museu da Gravura Cidade de Curitiba/FCC deixa de lado as edições das Mostras da Gravura, porém as faculdades de arte se tornam profícuas no ensino dessa linguagem e os novos mestres têm agora um campo novo onde canalizar uma nova produção dessa nova/velha arte.

Assim, somente tenho que enaltecer, até um pouco emocionada, a ideia pertinente de duas pessoas - Prof. Fabio Mestriner, da área de Design Gráfico e Fernando Wagner Sandri, da área de Marketing, que de maneira despretensiosa e com imenso entusiasmo de quem tem pureza de coração, condição imprescindível para se pensar gravura, tecem essa nova teia, produtora de novos talentos nessa área, com o apoio e a delicada sensibilidade do Presidente da Ibema Papelcartão, Sr. Nei Senter Martins.

Quero também ressaltar o trabalho e o respeito de duas profissionais da Ibema que não pouparam esforços para que essa mostra pudesse acontecer: Sofia Baldessar e Laís Knauber, bem como a prévia orientação do Prof. Pedro Gória, Coordenador do Curso de Gravura da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, instituição que passa a receber o referido prêmio em sua Sala de Exposições a partir desse ano.

Uiara Bartira

Coordenação do Prêmio Ibema Gravura

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